domingo, agosto 10
PERCURSO
a caminhada, o modo de percepção desses deslocamentos tem sido cada vez mais automatizado, com os meios analógiocos inseridos de maneira forçada na era digital: elevadores, escadas rolante, calçadões, vias expressas, vias elevadas - minhocões, aviões.
A paisagem não é absorvida como vivência mas como imagem. E esses elementos de transporte deixam de se tornar suporte e passam a agir como ferramentas de direcionamento do comportamento na cidade, em vários de seus textos Rem Koolhaas fala da escada rolante e do elevador como ferramentas paradigmaticas na formação da cidade moderna.
O percurso urbano é indubitavelmente grande ferramenta ao arquiteto, ou pensador da cidade. O passante se torna ator na dinâmica da cidade, interferência no fluxo, pausa na velocidade. Um afastamento do momento comum, a privilegiada visão em isométrica do arquiteto, se transferida a esse processo, passa a uma visão em camera lenta de todas essas imagens, ou uma estranha experiencia de espectador da vida real.
quinta-feira, junho 12
sexta-feira, junho 6
TANGE


Shizuoka Press and Broadcasting Centre Headquarters Building
Tokyo, Japan 1967


Hiroshima Peace Memorial Museum
Hiroshima, Japan 1952


Headquarters Building for WHO in Geneva
Geneva, Swiss 1960
Fotos do site:
http://www.ktaweb.com/
O site é muito bom, bastante completo com imagens.
Mas recomendo procurar os livros dele na biblioteca, a obra dele é bem sintética e bem estudada, coloquei aqui os projetos menos paradigmáticos mas mais formalmente e programaticamente interessantes.
Hiato

deus e o diabo na terra do sol. antônio das mortes
“(...) Abordando-o, compreende-se que até hoje escasseiem sobre tão grande trato de território, que quase abarcaria a Holanda (9º 11’ — 10º 20’ de lat. e 4° — 3° de long. O.R.J. ), notícias exatas ou pormenorizadas. As nossas melhores cartas, enfeixando informes escassos, lá têm um claro expressivo, um hiato, Terra ignota, em que se aventura o rabisco de um rio problemático ou idealização de uma corda de serras."
A TERRA, os sertões.
euclides da cunha. 1902
um tempo de reflexão para escrever um artigo com dois amigos.
retorno.
domingo, maio 18
FALIDOS




Primeira e segunda foto: CEU rosa da china, terceira foto: CEU navegantes, quarta foto: escola FDE, Barossi e Nakamura.
A faculdade de arquitetura em São Paulo, surge em 1958, a primeira manifestação da classe de arquitetos na cidade. Junto à criação da Faculdade, é firmado entre o governo do Estado e a prefeitura o Convênio Escolar, dentro de um plano sistemático para a construção de escolas buscando saciar o déficit da educação. Nesse plano o governo do estado ficava encarregado dos docentes e a prefeitura com a construção dos edifícios.
Constrói-se nesse momento o escritório público de arquitetura em São Paulo, experiência já vivida por Affonso E. Reidy no Rio de Janeiro na década de 30 e 40. No entanto por trás desse cenário heróico da figura do arquiteto, vê-se uma conjuntura nacional que justamente caminha em oposto a isso.
Despontando no cenário mundial a arquitetura brasileira sob o brasão de Lúcio Costa e Niemeyer, o progressismo mostrava a contradição inicial da situação do país: o grande desenvolvimento intelectual, e a consequênte complacência dos arquitetos como classe burguesa, e a realidade precária do desenvolvimento nacional.
Dito isso vemos hoje o projeto dos CEUs (centros de educação unificados - EDIF 2003) realizados dentro de um pensamento sistemático de praças de equipamentos e construção do território. Um programa evidentemente abortado. Mesmo os atuais projetos do FDE (fundação para o desenvolvimento da educação) que são realizados pela elite da escola paulista de arquitetura, cada escola tem a assinatura do arquiteto, que diz pertencer a uma tradição da construção pública e do equipamento.
A hipocrisia e contradição da situação reside numa escolha de desenvolvimento social presente muito antes de qualquer CEU ou escola do FDE. Já na década de 50, durante os 400 anos da cidade de São Paulo, o grupo de arquitetos dentro de um escritorio público é convocado para um projeto para a cidade de São Paulo. Dentro de uma equipe de arquitetos foram projetados planos gerais para a cidade em contrapartida a um investimento de grande porte concentrado (respaldo histórico atual nos investimentos das Copas ou das Olimpíadas, os surtos desenvolvimentistas do único recurso social de homogenização da opinião pública).
O projeto foi engavetado e a equipe dissolvida, então entra em cena o govenador Lucas Nogueira Garcez e o Prefeito Armando de Arruda Pereira criando uma comissão sob o comando de Francisco Matarazzo Sobrinho, o "Cicillo", que define o programa de investimento no parque do Ibirapuera, convidando Oscar Niemeyer para o projeto.
O que é descrito aqui não é a moralização sobre a ação dos arquitetos, pelo contrário, é a descrição fiel da escolha e da situação política ainda contemporânea da arquitetura.
Vê-se presente essa contradição latente em todos os projetos dos CEUs e dos FDEs, onde todas suas implantações são na verdade um discurso sobre a possiblidade de uma transformação, uma sempre ideal realidade.
A política e a realidade desde a construção do discurso de nação brasileira, já deixaram claro que o projeto coletivo não é o caminho óbvio, e por isso essa sempre presente sensação de precariedade, o projeto nunca se completa.
segunda-feira, maio 12
CONSTRUÇÃO

Algumas construções são eternas, não por causa de sua estabilidade física ou resitência á intempérie, mas por causa da carga imagética, no caso, que carregam.
A imagem do templo grego é automaticamente reconhecível, não importa a cor que é representado, não importa nem mesmo se suas colunas estão tortas, nem mesmo importaria se na imagem o templo fosse explodido.
Cada elemento presente carrega com si a tão forte essência de proporções e geometria, uma carga humana tão grande. Essa imagem fala antes de cor, forma mas de um princípio de civilização, de cidade, uma carga de projeto que dará base para toda a ocupação do globo: forma, função e beleza.
sábado, maio 10
QUEBRA
a inquetude juvenil precisa romper o conformismo urbano.
toda a frutificação do caos, da barbárie e de todos os elementos multiplicantes, replicantes e imobilizantes precisam se tornar claros à nossa apropriação.
deixamos de ser úteis para nos tornarmos uma nação fútil faz muito tempo.
a elevação de colônia a metrópole nos trouxe os benefícios do cosmopolismo, mas ainda não foi realmente apropriado o espírito da urbanidade.
O moderno deu-nos um vislumbre de revolução, mas nas palavras de Argan sobre a concepção urbanística do modernismo de Gropius e da Bauhaus:
"São bem conhecidas as aporias fundamentais dessa concepção urbanística. É perfeitamente verdade que, sendo a realidade irracional, racionalizando-a podemos mudá-la. Mas também é verdade que a mudamos segundo um esquema reformista e não segundo um esquema revolucionário. (...)
Sua ideologia (de Gropius) da técnica traduziu-se na construção imaginária de um espaço ideológico, isto é, de um espaço dotado de uma funcionalidade, ou uma dinâmica interna próprias, e capaz de transformar a sociedade que a habitasse, mas, ao mesmo tempo, de eximir essa sociedade do dever de transformar-se." (Argan, Giulio C. Urbanismo, Espaço e Ambiente in História da Arte como História da Cidade, 1984. Ed. Brasileira 1992. Martins Fontes.)
Transformar-se. Para a cidade, um objeto autônomo a constanste espera de apropriações. Para nós, seres urbanos e seus habitantes, um espaço dotado da flexibilidade suficiente para abrigar todas as contradições humanas. Antes de uma cidade ideológica e tecnicista, um espaço ( que segundo Argan, todo espaço a rigor é projetado ou passível de projeto ) que tem por base um posicionamento político.
Se a cidade a todo momento é mutante, precisamos nos colocar diante desse fato. Não por obrigação, ou a favor de uma ideologia ou futuro própero em alguma utopia a ser eternamente completa, mas pela própria condição humana de reflexão, contradição, construção e reconstrução. Palavras que descrevem a natureza humana, e nesse sentido a própria essência da cidade.
"E, por outro lado a arquitetura é um discurso, uma linguagem que se cristaliza. (entrevistador)
Sim, e você pode dizer isso pensando na cidade toda. Só foi possível construí-la, porque ela já exisitia inteira na mente do homem. Ninguém pode engedrar uma coisa em que não pensou antes, não é? A mulher que borda, por exemplo, conhece a técnica de bordar. Mas conhece também a flor que ela vai bordar, antes mesmo que o bordado fique pronto. Para nós também é assim: a arquitetura não se faz aos poucos, aos pedaços. A construção pode ser feita aos poucos, mas nunca o raciocínio.(Paulo Mendes da Rocha, em entrevista in Paulo Mendes da Rocha projetos 1999-2006, Cosac Naify"
Coloco aqui o vídeo Delírios de Maiô:
sexta-feira, maio 9
NATUREZA











koolhaaas (casa da música/astor hotel) , kahn (bangladesh/exeter library), paulo mendes (mube/osaka72) , artigas (garagem de barcos), lina (sesc pompéia).
(fotos do goolge e arquivo pessoal)
parece haver alguma similaridade, não explícita na forma acabada da arquitetura, mas na maneira em que a natureza da arquitetura se torna a manifestação da ação do homem sobre a natureza própria do edifício.
NATUREZA TM
quinta-feira, maio 8
OBSOLESCÊNCIA
Se o moderno inseriu no vocabulário do arquiteto, e na sociedade a dimensão do discurso sobre a escala do homem, hoje vive-se a reboque de uma cultura que existe sem reflexão, sequer estudo aprofundado.
A cultura capitalista hoje adquire escala global, onde antes a escala material nos levava ao homem de 1,83m (o próprio ideário burguês como diria Vilanova Artigas em texto sobre o sistema métrico e o sistema imperial, paralelo a postura de Le Corbusier que adota o modulor a partir de Sherlock Holmes, policial inglês, 1,83m, acima da média normal do homem, por volta de 1,75m) hoje a materialidade ocorre apenas enquanto decorrência da produção e organização da informação.
Onde antes o trabalho do homem era essencial na execução e projeto, hoje todo esse processo, desde o imaginário é transformado em informação. A mídia, a Internet, são os grandes avanços dessa escala e desse novo ideário. O imaginário da cidade, que antes perpassava a escala da natureza, depois a escala do homem, hoje perpassa as imagens da televisão, os vídeos do youtube, ou as fotos do flickr, do picasa. A informação passou de elemento produzido pelo esforço da imaginação, para um repertório sem fim exibido num loop eterno dentro dos meios de comunicação, e esses por sua vez tomaram conta de todo o espaço da ação humana.
O pensar está intimamente ligado cultura de mídia, a informação de massa.
Nesse sentido, enquanto pensador hoje é preciso observar profundamente a questão da informação, sua propagação, sua dissolução e sua banalização, pois esse imaginário diluído é presente diariamente na construção da cidades. Seja regulando a atuação do mercado, seja definindo o comportamento e a opinião da população, seja construindo o neo-clássico.
Impossível falar em ideologia hoje, mas sem dúvida há de forma extensiva a adoração pela imagem, pela moda e pela cultura: idéias altamente individualizadas inseridas na sociedade através da comunicação em massa, mais uma contradição a ser estudada e levada para dentro do projeto das cidades.
Sendo assim, Google é o novo profeta: o bem feitor da informação.busca: cidade
SEARCH TM
