A questão pertinente hoje à FAU é antes de tudo programática. Em sua inauguração na Cidade Universitária, em 1969, abria-se o edifício com uma exposição de Oscar Niemeyer, o qual não compareceu devido ao regime militar e seu exílio em Paris. O edifício da FAU já nasce em situação conturbada, e o exemplo citado mostra como é essencial a clareza diante do contexto para o usufruto dessa escola: o espaço público é também político.
Por isso quando vemos a ruína avançando sobre o prédio, nas infiltrações da cobertura, armaduras expostas, estúdio interditado, LAME fechado aos alunos, o que se lê desses sinais é a mensagem que nesse local não se abriga uma escola. Numa escola deve-se ter local iluminado para estudo e prática do trabalho, assim como espaços reservados para leitura e locais de convivência comuns para prática política. A FAU em projeto atende a todos esses requisitos. Artigas, como grande arquiteto que era, cumpriu com excelência seu papel.
Reside hoje em nossas mãos a culpa pela falência deste local, é na esquizofrenia coletiva que se destrói esse espaço. São professores mal organizados e que se digladiam por influencia na burocracia acadêmica, são alunos perdidos diante do vazio que é colocado diante deles, e a própria burocracia se afunda entre conflitos de poder e infindáveis questões legais e judiciais a serem sanadas.
O cenário colocado é de completo caos. A mensagem é clara: a FAU deixou de ser uma escola de arquitetura. Hoje podemos considerá-la um cenotáfio ou um mausoléu, um monumento fúnebre ao que foi uma escola.
Esse ano a FAU faz 60 anos. A celebração dessa data deve se constituir como um ponto final. Os estudantes ainda carregam a carga crítica necessária para fazer oposição a esse retrocesso.
Um novo programa para a FAU, que se inicie no piso do museu e do caramelo, os espaços públicos e políticos por definição, e se desdobrem para os departamentos, para a biblioteca, para os estúdios e salas de aula, movimento natural conforme a composição do edifício imaginado e concretizado por Artigas.
Evitar o desastre, no mínimo.
Texto enviado para o jornal 1:1000 - publicação dos estudantes da FAU
Por isso quando vemos a ruína avançando sobre o prédio, nas infiltrações da cobertura, armaduras expostas, estúdio interditado, LAME fechado aos alunos, o que se lê desses sinais é a mensagem que nesse local não se abriga uma escola. Numa escola deve-se ter local iluminado para estudo e prática do trabalho, assim como espaços reservados para leitura e locais de convivência comuns para prática política. A FAU em projeto atende a todos esses requisitos. Artigas, como grande arquiteto que era, cumpriu com excelência seu papel.
Reside hoje em nossas mãos a culpa pela falência deste local, é na esquizofrenia coletiva que se destrói esse espaço. São professores mal organizados e que se digladiam por influencia na burocracia acadêmica, são alunos perdidos diante do vazio que é colocado diante deles, e a própria burocracia se afunda entre conflitos de poder e infindáveis questões legais e judiciais a serem sanadas.
O cenário colocado é de completo caos. A mensagem é clara: a FAU deixou de ser uma escola de arquitetura. Hoje podemos considerá-la um cenotáfio ou um mausoléu, um monumento fúnebre ao que foi uma escola.
Esse ano a FAU faz 60 anos. A celebração dessa data deve se constituir como um ponto final. Os estudantes ainda carregam a carga crítica necessária para fazer oposição a esse retrocesso.
Um novo programa para a FAU, que se inicie no piso do museu e do caramelo, os espaços públicos e políticos por definição, e se desdobrem para os departamentos, para a biblioteca, para os estúdios e salas de aula, movimento natural conforme a composição do edifício imaginado e concretizado por Artigas.
Evitar o desastre, no mínimo.
Texto enviado para o jornal 1:1000 - publicação dos estudantes da FAU
Um comentário:
cara, engraçado ler isso aqui hoje, depois de ter conversado com o pessoal durante o final de semana justamente sobre a questão da fau como conhecemos não mais existir se por acaso mudarmos de prédio. curioso pensar que o edifício que hoje 'veneramos' é também o sarcófago de nosso ensino.
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