



Primeira e segunda foto: CEU rosa da china, terceira foto: CEU navegantes, quarta foto: escola FDE, Barossi e Nakamura.
A faculdade de arquitetura em São Paulo, surge em 1958, a primeira manifestação da classe de arquitetos na cidade. Junto à criação da Faculdade, é firmado entre o governo do Estado e a prefeitura o Convênio Escolar, dentro de um plano sistemático para a construção de escolas buscando saciar o déficit da educação. Nesse plano o governo do estado ficava encarregado dos docentes e a prefeitura com a construção dos edifícios.
Constrói-se nesse momento o escritório público de arquitetura em São Paulo, experiência já vivida por Affonso E. Reidy no Rio de Janeiro na década de 30 e 40. No entanto por trás desse cenário heróico da figura do arquiteto, vê-se uma conjuntura nacional que justamente caminha em oposto a isso.
Despontando no cenário mundial a arquitetura brasileira sob o brasão de Lúcio Costa e Niemeyer, o progressismo mostrava a contradição inicial da situação do país: o grande desenvolvimento intelectual, e a consequênte complacência dos arquitetos como classe burguesa, e a realidade precária do desenvolvimento nacional.
Dito isso vemos hoje o projeto dos CEUs (centros de educação unificados - EDIF 2003) realizados dentro de um pensamento sistemático de praças de equipamentos e construção do território. Um programa evidentemente abortado. Mesmo os atuais projetos do FDE (fundação para o desenvolvimento da educação) que são realizados pela elite da escola paulista de arquitetura, cada escola tem a assinatura do arquiteto, que diz pertencer a uma tradição da construção pública e do equipamento.
A hipocrisia e contradição da situação reside numa escolha de desenvolvimento social presente muito antes de qualquer CEU ou escola do FDE. Já na década de 50, durante os 400 anos da cidade de São Paulo, o grupo de arquitetos dentro de um escritorio público é convocado para um projeto para a cidade de São Paulo. Dentro de uma equipe de arquitetos foram projetados planos gerais para a cidade em contrapartida a um investimento de grande porte concentrado (respaldo histórico atual nos investimentos das Copas ou das Olimpíadas, os surtos desenvolvimentistas do único recurso social de homogenização da opinião pública).
O projeto foi engavetado e a equipe dissolvida, então entra em cena o govenador Lucas Nogueira Garcez e o Prefeito Armando de Arruda Pereira criando uma comissão sob o comando de Francisco Matarazzo Sobrinho, o "Cicillo", que define o programa de investimento no parque do Ibirapuera, convidando Oscar Niemeyer para o projeto.
O que é descrito aqui não é a moralização sobre a ação dos arquitetos, pelo contrário, é a descrição fiel da escolha e da situação política ainda contemporânea da arquitetura.
Vê-se presente essa contradição latente em todos os projetos dos CEUs e dos FDEs, onde todas suas implantações são na verdade um discurso sobre a possiblidade de uma transformação, uma sempre ideal realidade.
A política e a realidade desde a construção do discurso de nação brasileira, já deixaram claro que o projeto coletivo não é o caminho óbvio, e por isso essa sempre presente sensação de precariedade, o projeto nunca se completa.
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