sábado, maio 10

QUEBRA

quebrar a paralisação.

a inquetude juvenil precisa romper o conformismo urbano.
toda a frutificação do caos, da barbárie e de todos os elementos multiplicantes, replicantes e imobilizantes precisam se tornar claros à nossa apropriação.

deixamos de ser úteis para nos tornarmos uma nação fútil faz muito tempo.
a elevação de colônia a metrópole nos trouxe os benefícios do cosmopolismo, mas ainda não foi realmente apropriado o espírito da urbanidade.

O moderno deu-nos um vislumbre de revolução, mas nas palavras de Argan sobre a concepção urbanística do modernismo de Gropius e da Bauhaus:
"São bem conhecidas as aporias fundamentais dessa concepção urbanística. É perfeitamente verdade que, sendo a realidade irracional, racionalizando-a podemos mudá-la. Mas também é verdade que a mudamos segundo um esquema reformista e não segundo um esquema revolucionário. (...)
Sua ideologia (de Gropius) da técnica traduziu-se na construção imaginária de um espaço ideológico, isto é, de um espaço dotado de uma funcionalidade, ou uma dinâmica interna próprias, e capaz de transformar a sociedade que a habitasse, mas, ao mesmo tempo, de eximir essa sociedade do dever de transformar-se." (Argan, Giulio C. Urbanismo, Espaço e Ambiente in História da Arte como História da Cidade, 1984. Ed. Brasileira 1992. Martins Fontes.)

Transformar-se. Para a cidade, um objeto autônomo a constanste espera de apropriações. Para nós, seres urbanos e seus habitantes, um espaço dotado da flexibilidade suficiente para abrigar todas as contradições humanas. Antes de uma cidade ideológica e tecnicista, um espaço ( que segundo Argan, todo espaço a rigor é projetado ou passível de projeto ) que tem por base um posicionamento político.

Se a cidade a todo momento é mutante, precisamos nos colocar diante desse fato. Não por obrigação, ou a favor de uma ideologia ou futuro própero em alguma utopia a ser eternamente completa, mas pela própria condição humana de reflexão, contradição, construção e reconstrução. Palavras que descrevem a natureza humana, e nesse sentido a própria essência da cidade.

"E, por outro lado a arquitetura é um discurso, uma linguagem que se cristaliza. (entrevistador)
Sim, e você pode dizer isso pensando na cidade toda. Só foi possível construí-la, porque ela já exisitia inteira na mente do homem. Ninguém pode engedrar uma coisa em que não pensou antes, não é? A mulher que borda, por exemplo, conhece a técnica de bordar. Mas conhece também a flor que ela vai bordar, antes mesmo que o bordado fique pronto. Para nós também é assim: a arquitetura não se faz aos poucos, aos pedaços. A construção pode ser feita aos poucos, mas nunca o raciocínio.(Paulo Mendes da Rocha, em entrevista in Paulo Mendes da Rocha projetos 1999-2006, Cosac Naify"



Coloco aqui o vídeo Delírios de Maiô:




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